A noite sempre chegou como um soco no meu estômago desde que me entendo por gente. Sempre vi esta parte do dia (é estranho dizer que a noite é parte do dia) como um mal presságio desde bem nova. A escuridão, o silêncio, a calma duvidosa, o cansaço, a vulnerabilidade, tudo contribui. Me lembro de momentos da infância onde eu ficava em cima de uma mureta na frente de casa e ficava olhando para o céu e horizonte, vendo o sol se por entre colinas e dando espaço para o breu pouco a pouco. Aquilo me dava um certo medo, mas controlável. Chegava as 18h, já era motivo para alertas. Às 20h, já era possível ter alguma crise existencial aos 8 anos de idade sobre o fato de que eu iria morrer um dia. Inclusive, achei por muito tempo que eu era a única a ter pensamentos mórbidos assim quando criança e recentemente conversei com 2 pessoas que também tinham isso. A saúde mental deles é duvidosa, mas de quem não é? Desde então, vejo a noite mai...
O que fazer agora? O que esperar? O que sonhar? O que dizer? Será que devo seguir ou me conter? Quem sabe talvez se eu... Bom, não sei. São nesses momentos que ficamos sem reação, sem noção de tempo, de espaço, e até dementes, mas é inevitável. Esses dias, eu estava muito tranquila, tudo estava ocorrendo perfeitamente, até que ele bateu na minha porta. Me assustei, logo perguntei: - O que você está fazendo aqui de novo e tão cedo? Ele, naturalmente, respondeu: - Vim para te infernizar de novo, te deixar com duvidas, com noites mal dormidas, sem noção do perigo e outras coisas que você estava desacostumada a fazer. Aquela visita foi surpreendedora, não esperava vê-lo tão rapidamente, ele tinha acabado de sair e tudo estava tão bem do jeito que estava, mas justo agora tudo tinha que virar de cabeça pra baixo. Ele só não chegou rápido como chegou furioso, batendo as portas e janelas, intenso, logo de cara. ...
Naquele momento encantei-me Seu olhar mais que ofuscante Olhares partidos por um instante Uma dose de pensamentos fulminantes Lobo solitário, Não se faça de difícil Não é tão horrível quanto pular de um precipício Porém, a dor pode ser parecida Tu vestes a mesma roupa E não falo de panos Seu "eu" não é leviano Espírito nômade cigano Não se pode usar palavras chaves Tem que ser sincero Pois assim não me desespero E não me parece tão grave São em versos sem métrica que digo Com algumas falhas, admito Que lhe quero bem Que mal isso tem?
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